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Brumadinho é em todo lugar

BRUMADINHO, Janeiro de 2019
Daniella Candido
Licenciada em Letras pela UFOP
Sabrina Elis Candido Gonçalves
Graduanda em Geografia pela PUC-MG
sabrinaelis46@gmail.com

Brumadinho, Minas Gerais, cidade que completou 80 anos em dezembro de 2018 e que atualmente, segundo IBGE 2010, acolhe uma população de aproximadamente, 34.000 habitantes. Localiza-se a 63 km da capital mineira e pertence à Região Metropolitana de Belo Horizonte. O nome da cidade era frequentemente confundido por INHOTIM, maior museu a céu aberto da América Latina, devido à popularização do museu internacionalmente. Mas algo iria acontecer e que mudaria a vida de toda a população brumadinhense. No dia 25 de janeiro de 2019 foi anunciada a segunda tragédia já acontecida em Minas Gerais, a barragem de rejeitos da mina Córrego do Feijão, pertencente a VALE S.A., se rompeu, causando um crime ambiental e, sobretudo, humano.
Crime esse que se repete; ainda ecoa fortemente a tragédia da Samarco (irmã sanguinária da Vale) em Mariana. O que já era uma atrocidade gigantesca explode mais uma vez com a devastação incomensurável de uma região. O fantasma cruel do que ocorreu em Bento Rodrigues, o distrito destruído pelo rompimento de uma barragem, assombra mais uma vez em outra região das “minas gerais” e nos mostra terrivelmente que não somente o poder público e as empresas são omissas e assassinas, mas a nossa ilusão de que o meio ambiente deve nos servir sem que tenhamos de analisar e frear nossos atos extrativistas. É um tristíssimo grito de alerta, para que todos revejam a postura em relação à vida humana, animal e atividades de origem mineral.
Brumadinho, a cidade onde nasci, cresci e pude acompanhar de perto seu desenvolvimento, desde as instalações das grandes mineradoras até o grande museu INHOTIM. Até o presente momento, a principal arrecadação do município advém das minerações, sendo o principal o da mineração VALE S.A. e do museu. A economia da cidade depende dessas empresas, e agora o que esperar desse município que ora recebia arrecadações da mineração, ora emprega quase toda a população brumadinhense? Em síntese, pode se dizer que todos dependiam diretamente ou indiretamente dessa empresa, seja para investimentos na cidade, renda familiar, convênios de saúde entre outros.
Para contextualizar, Brumadinho é composto por vários distritos rurais, todos bem distantes da sede. Córrego do Feijão é um pequeno vilarejo, perto do distrito do Tejuco e que abrigava famílias que durante anos, viviam da agricultura familiar. Há poucos quilômetros desse vilarejo se encontrava a Mina Córrego do Feijão, que durantes anos a VALE S.A. vinha explorando os recursos minerais desta área. Com o rompimento da barragem de rejeitos, várias pessoas que residiam perto ou ali trabalhavam foram atingidas, que no primeiro momento foram computados inúmeros cidadãos desaparecidos e, que logo mais tarde, seriam dados como mortos. Além disso, populações de várias cidades poderiam sentir o impacto diretamente pelo fato da lama ter encontrado o Rio Paraopeba, que corta toda a sede de Brumadinho e várias outras cidades mineiras.
Após mais essa tragédia ambiental, que tem como principal culpado a ganância humana, foram levantados diagnósticos sobre a o método utilizado pela mineradora VALE S.A. na construção e utilização da barragem de rejeitos. Sua principal função é depositar os rejeitos provenientes da separação do minério e da rocha extraído e também, a água que é utilizada nesse procedimento. O método utilizado no caso de Brumadinho-MG é do alteamento para montante, o mais simples, barato e sem segurança. Com o frequente depósito de rejeitos e sem a ampliação da capacidade de armazenamento ou a interrupção do uso, esse tipo de tragédia é iminente.
Esse tipo de método é o menos indicado, porém, é o mais utilizado em todo país. É válido ressaltar que, não são apenas os empresários os grandes culpados nessa história, os órgãos públicos estaduais e federais também têm sua parcela de responsabilidade. Pela lei, como se trata de área totalmente dentro do Estado de Minas Gerais, ele e os profissionais envolvidos são os responsáveis pelo estudo de prevenção e precaução para possíveis impactos ambientais para, posteriormente, a aprovação para a exploração mineral na área e a construção da barragem de rejeitos. Além da aprovação, o Estado também deve fazer a fiscalização para fins de monitoramento das técnicas e métodos que podem causar qualquer dano ambiental. Como se percebe, tanto a empresa quanto o órgão estadual foram omissos nesse quesito, não tiveram a competência nem de deduzir o quão perigoso é o setor administrativo, refeitório e áreas afins ficarem abaixo da barragem de rejeito. Uma observação a ser feita é que não é de responsabilidade da prefeitura municipal fazer a fiscalização da área, mas é o seu dever zelar pela proteção da população, pois se agisse dessa forma, pode-se constatar que muitas vítimas poderiam estar salvas, se obviamente não estivessem morando em uma área de perigo. A prefeitura poderia ter se sensibilizado e transferido a população do vilarejo do Córrego do Feijão, conhecido também como Vila Ferteco, para outra área.
Como já dito anteriormente, a cidadezinha era conhecida como INHOTIM, justamente pelo desconhecimento de todo o Brasil. A cidade pequena, pacata, mas que transbordava paz e humildade de todos. Agora, somos conhecidos mundialmente, porém, pelos motivos contrários que gostaríamos! Conhecidos pelo Mar de Lama advindo da ganância, irresponsabilidade e descaso não somente pelo meio ambiente, mas pelas inúmeras famílias que se dedicavam profissionalmente ao processo de mineração. Perdemos familiares, perdemos amigos, perdemos conhecidos, que dos pontos de ônibus, acenavam satisfeitos por irem trabalhar nas minas. E mais uma vez, é colocado em dúvida mundialmente a capacidade do poder público de fiscalizar e atuar de forma efetiva como também das empresas agirem dignamente com a sociedade e com seus colaboradores, esses cidadãos que movem os setores empresariais gerando cada vez mais lucro. A cidade da alegria foi trocada pela tristeza! A calmaria pela angústia! O silêncio, pelos sons dos helicópteros! Exige respeito e ações de reparação ambiental e social. E, em nós, brumadinhenses há a esperança infinita que ainda venceremos esse sofrimento! Uma luta não apenas de caráter jurídico, principalmente, moral e de valorização à vida.

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